São Josafat

Arcebispo católico oriental de Polotsk, mártir pela unidade da Igreja · Festa: 12 de novembro

São Josafat
Aleksander Tarasowicz, St Josaphat, martyr, copper engraving, late 17th or early 18th century (detail). Public domain, via Wikimedia Commons.
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Palavra de Deus

📖 João 17,21

Vida

João Kuntsevych nasceu por volta de 1580 em Volodymyr, na Volínia (na atual Ucrânia), numa família de rito bizantino. Em 1596, pela União de Brest, muitos bispos da Igreja rutena entraram em plena comunhão com Roma conservando a sua própria liturgia e as suas tradições orientais. Ainda jovem, João abraçou com convicção esta união.

Em 1604 tornou-se monge da Ordem de São Basílio no mosteiro da Santíssima Trindade de Vilnius e tomou o nome de Josafat. Era conhecido pela sua oração, pelos seus jejuns e pela sua pregação. Foi arquimandrita e, em 1618, arcebispo de Polotsk. Restaurou igrejas, ensinou o catecismo, cuidou dos pobres e trabalhou sem descanso para levar os cristãos da sua região à unidade da Igreja católica, defendendo ao mesmo tempo a liturgia oriental.

Os ânimos dos que se opunham à união estavam muito exaltados. A 12 de novembro de 1623, em Vitebsk, uma multidão invadiu a sua residência e matou-o. Foi beatificado em 1643 e canonizado em 1867, o primeiro católico oriental canonizado mediante um processo formal da Cúria romana. Desde 1963 as suas relíquias repousam na basílica de São Pedro, em Roma.

Ensinamentos

Vale a pena dar a vida pela unidade

Josafat viveu e morreu pela oração de Cristo: que todos sejam um.

Oriental e católico

Mostra que se pode ser plenamente católico conservando a própria liturgia e a própria herança oriental, como as Igrejas católicas orientais que hoje vivem também entre nós: ucranianos, maronitas, siro-malabares e outras.

Amar até o inimigo

A tradição recorda que pediu aos seus que não fizessem mal aos agressores.

Histórias

Mártir da comunhão (história)

Josafat foi morto em Vitebsk em 1623 por opositores da União de Brest, e o seu corpo foi lançado ao rio Dvina. Mais tarde foi recuperado e venerado.

Homilia

1. Que todos sejam um

Jesus rezou pela unidade dos seus discípulos (João 17,21). Josafat deu a vida por essa oração.

2. Oriental e plenamente católico

Conservou a liturgia bizantina vivendo em plena comunhão com Pedro: a Igreja católica respira com os seus dois pulmões, Oriente e Ocidente.

3. Amar até o agressor

A tradição recorda que pediu aos seus que não fizessem mal aos que vinham para o matar.

Queridos amigos, na noite antes de morrer Jesus rezou: que todos sejam um, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que o mundo creia (João 17,21). A divisão entre os cristãos fere essa oração. São Josafat deu a vida para a curar.

Foi monge e arcebispo de tradição bizantina que abraçou a plena comunhão com o bispo de Roma conservando a sua liturgia, a sua espiritualidade e os seus costumes orientais. Muitos não sabem que a Igreja católica não é só latina: há Igrejas católicas orientais, como a ucraniana, a maronita ou as siro-malabar e siro-malankar da Índia, que são plenamente católicas e orgulhosamente orientais. Josafat mostra que isto não é um meio-termo, mas um dom.

Os inimigos da unidade mataram-no em 1623. A tradição conta que pediu aos seus que não fizessem mal aos agressores. Rezemos hoje pela unidade de todos os cristãos, amemos a nossa própria tradição litúrgica e nunca falemos com desprezo de outra Igreja. A unidade começa pela maneira de falar. Ámen.

Oração

Senhor, suscitai na vossa Igreja o Espírito que encheu São Josafat quando deu a vida pelas suas ovelhas. Pela sua intercessão, fortalecei-nos com esse mesmo Espírito, para que não tenhamos medo de dar a vida pelos outros. Ámen.