Um dos Doze, padroeiro das causas difíceis e desesperadas; festa juntamente com São Simão, o Zelota · Festa: 28 de outubro

📖 Judas 20–21
Judas é um dos doze apóstolos que Jesus escolheu depois de passar a noite inteira em oração no monte (Lucas 6,12–16). Lucas chama-lhe Judas, filho de Tiago; Mateus e Marcos nomeiam, no mesmo lugar das suas listas, um apóstolo chamado Tadeu, e a Igreja entende há muito que se trata da mesma pessoa. Por isso é conhecido como Judas Tadeu. Os evangelistas têm o cuidado de o distinguir de Judas Iscariotes, que entregou o Senhor.
O Evangelho de João conserva uma pergunta sua, feita na Última Ceia: Senhor, porque te hás de manifestar a nós e não ao mundo? (João 14,22). Jesus respondeu que o Pai e Ele virão e farão morada junto de todo aquele que O ama e guarda a sua palavra (João 14,23). Depois da Ascensão, Judas estava com Maria e os outros apóstolos na sala de cima, perseverando na oração à espera do Espírito Santo (Atos 1,13–14).
A breve Carta de Judas, no Novo Testamento, começa com a saudação de Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago (Judas 1). A tradição atribuiu-a ao apóstolo; alguns estudiosos pensam noutro Judas, parente do Senhor. A carta exorta os cristãos a combater pela fé transmitida aos santos de uma vez para sempre (Judas 3), pede misericórdia para os que vacilam e termina com um dos mais belos louvores da Bíblia (Judas 24–25).
Segundo uma antiga tradição, Judas anunciou o Evangelho na Mesopotâmia e na Pérsia juntamente com Simão, o Zelota, e ambos ali morreram mártires. Por isso o calendário romano celebra a sua festa em conjunto a 28 de outubro. As suas relíquias são veneradas na Basílica de São Pedro, em Roma. Na arte, Judas aparece geralmente com uma clava, um machado ou uma alabarda, segundo a tradição o instrumento do seu martírio, e muitas vezes com um medalhão com o rosto de Cristo.
A devoção popular fez dele o padroeiro das causas difíceis e desesperadas. Uma explicação comum é que, como o seu nome se parecia com o do traidor, durante séculos os cristãos pouco lhe rezavam, e assim começaram a invocá-lo quando qualquer outra ajuda parecia ter falhado. Em muitas partes do mundo, também na Índia e no Brasil, grandes multidões acorrem aos seus santuários e à novena semanal, levando o peso da doença, das dívidas, do desemprego e das dificuldades familiares.
A única pergunta de Judas que conhecemos levou à promessa de que Deus faz morada em quem O ama (João 14,22–23).
Pouco se escreveu sobre ele, e no entanto deu toda a vida. A santidade não precisa de fama.
A sua carta pede que combatamos pela fé e tenhamos misericórdia dos que vacilam (Judas 3.22).
A verdadeira devoção a São Judas leva-nos a Cristo, porque para Deus nada é impossível (Lucas 1,37).
Na noite antes de morrer, Jesus falou de se manifestar aos seus discípulos. Judas perguntou porquê só a eles e não ao mundo inteiro. Jesus respondeu que o Pai e Ele virão e farão morada junto de todo aquele que O ama e guarda a sua palavra (João 14,22–23).
Uma antiga lenda conta que o rei Abgar de Edessa, que estava doente, escreveu a Jesus pedindo-lhe que viesse curá-lo. Depois da Ascensão foi-lhe enviado um discípulo chamado Tadeu; o rei ficou curado e muitos em Edessa acreditaram. Eusébio regista no século IV uma forma antiga do relato; versões posteriores acrescentam que Tadeu levou um pano com o rosto de Cristo. O relato é lendário, mas explica porque São Judas aparece tantas vezes com o rosto de Cristo ao peito.
Nos séculos seguintes a devoção a São Judas espalhou-se amplamente. Conta-se que Santa Brígida da Suécia (século XIV) foi movida na oração a recorrer a ele com grande confiança. Desde então quem perdeu a esperança reza-lhe, e muitos agradecem a ajuda recebida. Por isso se veem nos jornais tantos pequenos agradecimentos a São Judas Tadeu.
Àquele que tem poder para vos guardar de toda a queda e vos apresentar diante da sua glória, irrepreensíveis e cheios de alegria, ao único Deus, nosso Salvador, por Jesus Cristo, nosso Senhor, glória, majestade, poder e autoridade, antes de todos os tempos, agora e por todos os séculos. Ámen.
Judas 24–25, em substância
Senhor, porque te hás de manifestar a nós e não ao mundo?
São Judas, João 14,22, em substância
A Carta de Judas convida-nos a viver a nossa fé com coerência, a edificar-nos sobre ela e a rezar no Espírito Santo.
Papa Bento XVI, Audiência geral sobre os apóstolos Simão e Judas, 11 de outubro de 2006, em substância
Tinha o mesmo nome do traidor, e durante séculos poucos lhe rezaram. Deus gosta de levantar o que os outros rejeitam (Salmo 118,22).
Senhor, porquê a nós e não ao mundo? A resposta: viremos a quem Me ama e faremos nele a nossa morada (João 14,22–23). Deus não resolve os problemas de longe; vem morar na nossa casa.
Judas escreve a cristãos em tempos difíceis: edificai-vos na fé, rezai no Espírito, conservai-vos no amor de Deus, esperai a sua misericórdia (Judas 3.20–21).
Judas traz ao peito o rosto de Cristo. A verdadeira devoção inclui a Confissão, a Santa Missa / Santa Qurbana, a perseverança e a ação de graças; nunca ameaças nem correntes de oração.
A esperança não engana (Romanos 5,5). Visita, ajuda e reza com alguém que perdeu a esperança.
Queridos irmãos e irmãs, hoje a Igreja recorda dois apóstolos, São Simão, o Zelota, e São Judas Tadeu. Em muitos países poucas festas reúnem multidões como esta. As pessoas vêm a São Judas com fardos que já não conseguem carregar sozinhas: uma doença que os médicos não sabem curar, uma dívida que não para de crescer, um filho que não encontra trabalho, uma filha cujo casamento se está a desfazer, um processo em tribunal que nunca acaba, um filho longe que já não telefona. Vêm porque ouviram dizer que São Judas é o santo das causas desesperadas. Alguns de vós estão hoje aqui com um fardo assim. Perguntemo-nos: quem é este apóstolo e o que nos quer ensinar?
Jesus escolheu Judas depois de passar a noite inteira em oração no monte (Lucas 6,12–16). Judas era um bom nome, um nome de orgulho em Israel, o nome do patriarca Judá. Mas depois daquela terrível noite da traição, o mesmo nome tornou-se uma sombra. O evangelista escreve com cuidado: Judas, não o Iscariotes (João 14,22). Imaginai levar toda a vida o nome daquele que vendeu o Senhor. Talvez por isso, durante séculos, poucos cristãos lhe rezassem. O santo esquecido tornou-se o santo dos esquecidos. É assim que Deus age: a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular (Salmo 118,22). Se hoje sentis que a família, a sociedade, até Deus vos esqueceu, olhai para São Judas. Deus não esquece.
O Evangelho conserva uma única frase dos lábios de Judas. Na Última Ceia perguntou: Senhor, porque te hás de manifestar a nós e não ao mundo? (João 14,22). Talvez desejasse que Jesus se mostrasse com poder, espantasse as multidões, vencesse os inimigos. Jesus respondeu com uma promessa mais silenciosa e mais profunda: Se alguém Me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e viremos a ele e faremos nele a nossa morada (João 14,23). Este é o coração da nossa fé. Judas não nos leva a um Deus que resolve os problemas de longe, como um funcionário que assina um processo. Leva-nos ao Deus que vem morar na nossa casa, na nossa doença, nas nossas dívidas, na nossa dor. Antes de mudar a nossa situação, quer fazer morada no nosso coração.
Mais tarde Judas escreveu uma breve carta a cristãos que viviam tempos difíceis, confundidos por falsos mestres e tentados a desistir de tudo. Disse-lhes que combatessem pela fé transmitida aos santos de uma vez para sempre (Judas 3). E deu-lhes quatro indicações simples: edificai-vos sobre a vossa santíssima fé; rezai no Espírito Santo; conservai-vos no amor de Deus; esperai a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo (Judas 20–21). Não são fórmulas mágicas. É o caminho de um cristão que não desiste: permanecer enraizado na fé da Igreja, continuar a rezar mesmo quando o céu parece calado, permanecer no amor de Deus, esperar a sua misericórdia. E acrescenta: tende compaixão dos que vacilam (Judas 22). Quem recebeu esperança deve transmiti-la.
Honremos, pois, São Judas da maneira certa. Uma novena não é uma moeda que se mete numa máquina para obter o que queremos. É um caminho de nove dias, ou de nove semanas, com Deus na fé. A verdadeira devoção a São Judas leva-nos à Confissão, à Santa Missa / Santa Qurbana, à Palavra de Deus e às obras de caridade. Persevera quando a resposta tarda. Agradece quando chega a ajuda, e confia quando a resposta é diferente do que pedimos. E digamo-lo com clareza: as correntes de oração que ameaçam com desgraças se não forem copiadas, ou prometem sucesso se forem publicadas tantas vezes, não são fé católica; são superstição. Olhai para as imagens de São Judas: ao peito traz o rosto de Cristo. Nunca aponta para si mesmo. Aponta sempre para Jesus.
Queridos amigos, com Deus nenhuma causa está perdida. A esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo (Romanos 5,5). E hoje, que cada um de nós seja um São Judas para outra pessoa. Bem perto de vós há alguém que perdeu a esperança: um vizinho cheio de dívidas, um jovem sem trabalho, uma família no corredor de um hospital. Visitai-o, ajudai-o, rezai com ele. Terminemos com as palavras que fecham a carta de São Judas: àquele que tem poder para vos guardar de toda a queda e vos apresentar diante da sua glória, irrepreensíveis e cheios de alegria, glória, majestade, poder e autoridade, agora e por todos os séculos (Judas 24–25). São Judas, São Simão, rogai por nós. Ámen.
A fé é uma casa construída dia a dia sobre a rocha que é Cristo (Judas 20; Mateus 7,24).
Quando não sabemos rezar, o Espírito reza em nós (Judas 20; Romanos 8,26).
Permanecei no meu amor (João 15,9): fica onde o seu amor te alcança.
Tende compaixão dos que duvidam; trazei-os de volta com delicadeza (Judas 22–23).
A nossa força não é nossa; é Deus que nos sustenta (Judas 24).
Queridos amigos, a Carta de Judas é um dos livros mais breves da Bíblia, um só capítulo. No entanto, no fim oferece um pequeno programa completo de vida cristã: Vós, porém, caríssimos, edificai-vos sobre a vossa santíssima fé; rezai no Espírito Santo; conservai-vos no amor de Deus; esperai a misericórdia de nosso Senhor, para a vida eterna (Judas 20–21).
Edificai-vos. A fé não é um sentimento que vem e vai; é uma casa que se constrói todos os dias. Jesus falou do homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha: caiu a chuva, vieram as torrentes, e a casa não caiu (Mateus 7,24–25). Edificamos com a oração, com a Escritura, com os sacramentos, com o ensinamento da Igreja. Quando chega a tempestade, é tarde para começar os alicerces.
Rezai no Espírito Santo. Muitas vezes não sabemos o que pedir, ou a oração parece-nos seca. São Paulo diz que o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos rezar como convém (Romanos 8,26). Depois: conservai-vos no amor de Deus. Jesus disse: Permanecei no meu amor (João 15,9). Não podemos obrigar Deus a amar-nos; Ele já nos ama. Mas podemos ficar onde o seu amor nos alcança, ou afastar-nos dele pelo pecado.
Judas pede-nos também que tenhamos compaixão dos que vacilam e salvemos outros arrancando-os do fogo (Judas 22–23). À nossa volta há pessoas cuja fé vacila: um amigo que deixou de ir à igreja, um jovem cheio de dúvidas. Não os condeneis. Rezai por eles, escutai-os e trazei-os de volta com delicadeza.
E, por fim, o belo louvor: àquele que tem poder para vos guardar de toda a queda (Judas 24). A nossa perseverança não depende das nossas forças. Deus pode guardar-nos. Nesta festa demos graças pela fé que os apóstolos nos transmitiram e, nesta Santa Missa / Santa Qurbana, ofereçamo-nos àquele que pode guardar-nos de toda a queda. Ámen.
Não vos inquieteis com coisa alguma; em todas as circunstâncias apresentai a Deus os vossos pedidos pela oração (Filipenses 4,6).
A tribulação produz a paciência, a paciência a virtude provada, a virtude provada a esperança; e a esperança não engana (Romanos 5,3–5).
Basta-te a minha graça (2 Coríntios 12,9): às vezes tira o fardo, às vezes dá força para o carregar.
O leproso curado voltou para agradecer (Lucas 17,15–16); que a nossa gratidão se torne ajuda para os outros.
Queridos irmãos e irmãs, muitos de vós vieram hoje com o coração pesado. Rezastes, tentastes todos os caminhos, e a porta ainda não se abriu. Alguns vieram a pé, outros acenderam uma vela, outros fizeram uma promessa. São Judas compreende. Por isso é chamado padroeiro das causas difíceis. Mas o que vos quer Deus dizer hoje?
Primeiro: levai tudo a Deus. São Paulo escreve: Não vos inquieteis com coisa alguma; mas, em todas as circunstâncias, apresentai a Deus os vossos pedidos, com orações, súplicas e ações de graças (Filipenses 4,6). Nada é demasiado pequeno ou demasiado vergonhoso para Lhe levar: a dívida que escondeis dos parentes, a dependência em casa, o medo da noite. São Judas reza convosco, mas leva-vos a Deus.
Segundo: a esperança cristã não é um simples desejo. Paulo diz que a tribulação produz a paciência, a paciência a virtude provada, a virtude provada a esperança; e a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações (Romanos 5,3–5). A esperança não é a certeza de que tudo correrá como eu quero. É a certeza de que, aconteça o que acontecer, Deus me ama e não me abandonará.
Terceiro: Deus responde à sua maneira. Às vezes tira depressa o fardo, e voltamos com flores e ação de graças. Às vezes, como a Paulo, diz-nos: Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder (2 Coríntios 12,9). Então não tira a cruz, mas dá a força para a carregar, e carrega-a connosco. Ambas são respostas. Ambas são amor.
Por fim: quando chegar a ajuda, não vos esqueçais de agradecer. Dos dez leprosos curados, só um voltou para agradecer a Jesus (Lucas 17,15–18). Que a vossa gratidão se torne ajuda para os outros. O melhor agradecimento a São Judas não é apenas um anúncio no jornal, mas uma mão estendida a quem hoje está onde vós estivestes um dia. Ide em paz; não estais sós. São Judas, rogai por nós. Ámen.
Senhor Deus, que pelos apóstolos nos destes a conhecer o vosso nome, pela intercessão dos santos Judas Tadeu e Simão fazei crescer a vossa Igreja na fé e na caridade; e concedei a todos os que estão sobrecarregados e sem esperança a ajuda de que precisam e a graça de confiar sempre em Vós. Por Cristo, nosso Senhor. Ámen.