Irmão dominicano de Lima, servidor dos pobres e dos doentes · Festa: 3 de novembro

📖 Mateus 25,40
Martinho nasceu em Lima, no Peru, em 1579, filho de um nobre espanhol, Juan de Porres, e de Ana Velázquez, uma mulher negra liberta do Panamá. A princípio o pai não o reconheceu, e em criança, sendo mulato, Martinho conheceu a pobreza e o desprezo. Aprendeu o ofício de barbeiro-cirurgião: tratar feridas e preparar remédios.
Por volta dos quinze anos pediu para entrar no convento dominicano do Santo Rosário de Lima. Por causa das leis raciais da época foi recebido primeiro apenas como ajudante; em 1603 foi-lhe permitido fazer os votos como irmão leigo. Serviu como barbeiro, jardineiro e enfermeiro, cuidou dos frades doentes e dos pobres da cidade, fundou um lar para crianças abandonadas e repartia todos os dias comida por centenas de famintos.
Foi amigo de Santa Rosa de Lima e de São João Macías. Morreu a 3 de novembro de 1639, e a cidade inteira acorreu ao seu funeral. O papa São João XXIII canonizou-o em 1962; é venerado como padroeiro da justiça social e das pessoas de origem mestiça e mulata.
Martinho aceitou os trabalhos mais humildes sem amargura e assim ficou livre para amar todos.
Serviu por igual espanhóis, africanos e indígenas, ricos e pobres, pessoas e até animais.
As suas longas noites de oração diante do Santíssimo eram a fonte do seu serviço incansável durante o dia.
Martinho é quase sempre representado com uma vassoura. Tinha-se pelo último de todos e varria de boa vontade o convento, vendo nas tarefas mais pequenas um serviço a Cristo.
Uma história popular conta que, quando os frades quiseram envenenar os ratos da rouparia, Martinho os levou para a horta e lhes deu de comer lá, e não voltaram a fazer estragos.
Martinho varria o chão e tinha-se pelo último. A humildade tornou-o livre para amar todos sem orgulho nem rancor.
O que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes (Mateus 25,40). Martinho via Cristo no doente, no pobre e na criança abandonada.
Espanhol, africano, indígena: Martinho serviu todos. Pergunte-se: quem excluo eu em silêncio?
Queridos amigos, hoje honramos um homem a quem o mundo um dia olhou de cima. Martinho de Porres nasceu pobre, mulato, sem o reconhecimento do pai. Os dominicanos a princípio só o aceitaram como ajudante. E hoje toda a Igreja lhe chama santo.
Martinho nunca lutou por um lugar. Pegou na vassoura, na bacia e na ligadura, e com elas serviu Cristo. Jesus disse que o que fazemos ao mais pequenino dos seus irmãos é a Ele que o fazemos (Mateus 25,40). Martinho acreditou nisto à letra: o frade doente, o mendigo à porta, a criança abandonada eram o próprio Cristo.
A sua caridade atravessou todas as fronteiras que a sua sociedade tinha traçado: a raça, a classe social, até a fronteira entre as pessoas e os animais. Num mundo ainda dividido pela cor da pele e pela posição social, Martinho pergunta-nos: quem mantenho à distância? Escolha esta semana uma tarefa humilde que ninguém quer e faça-a com amor a Cristo. Ámen.
Senhor Deus, que conduzistes São Martinho de Porres pelo caminho da humildade à glória do céu: ajudai-nos a seguir o seu exemplo de caridade, para servirmos Cristo nos pobres e nos doentes. Ámen.